Ao perceber que não poderia manifestar pessoalmente os meus votos na comemoração do 21º aniversário de um amigo, resolvi lhe escrever uma mensagem que fosse além dos votos de felicidade eterna e de pleno sucesso, existentes só nos domínios da fantasia.
-(qualquer coincidência com o dono do blog, não é por acaso)
O que recomendar, porém, a quem acaba de atingir a plenitude do seu desenvolvimento físico e que mal começa a perceber os limites da sua capacidade psíquica e cognitiva? Reportei-me ao passado, buscando entender o que eu gostaria de ter compreendido na mesma idade e que poderia me ter sido útil dali em diante.
Nada encontrei ligado a um tema específico nem senti falta de qualquer previsão importante que, na época, teria sido útil para a tomada de decisões. Primeira conclusão: andar a gente aprende andando. Mesmo assim insisti, relembrando os sonhos daquela idade. Percebi que alguns se realizaram exatamente como eu imaginara, enquanto outros chegaram perto. A maioria, porém, ficou no fértil universo do imaginário.
Por outro lado, grande parte das realizações atuais não estava entre as expectativas de outrora. Curiosamente, dessa aparente dissonância entre o sonho e a realidade só restou um sentimento de desagrado quando não houve uma solução alternativa. Segunda conclusão: sonhar é fundamental; realizar é opcional.
Pronto, descobri o que gostaria de dizer a quem tem muitos anseios atuais e uma longa expectativa de vida para edificá-los. Não há por que limitá-los por serem aparentemente irrealizáveis. Mais importante é encontrar mais de um caminho para atingir cada objetivo. Assim, haverá menor risco de nos tornarmos reféns de uma condição isolada. O "plano B" passa a ser uma boa alternativa quando o "A" se mostra inviável.
Tenho aprendido muito sobre esse assunto com aqueles que já viveram mais do que eu e cujas experiências demonstram que o conjunto da obra depende muito mais da capacidade de encontrar o melhor caminho durante a viagem do que de tê-lo idealizado nos mínimos detalhes antes de iniciá-la. Assim entendendo, fica mais simples diferençar a determinação necessária para que o objetivo seja alcançado da teimosia que impede a escolha de um plano alternativo. Para isso, o tempo é um grande aliado.
Sempre poderemos aprender a preparar vias alternativas para chegar aonde queremos desde que tenhamos a flexibilidade necessária para reconhecer um obstáculo intransponível. Terceira conclusão: o determinado chega aonde planejou, escolhendo o melhor caminho. O teimoso fica no caminho previamente escolhido, tentando fazer com que ele o leve ao seu objetivo.
Escrevi, finalmente, a mensagem. Além de lhe desejar uma vida longa e repleta de desafios, recomendei que fosse generoso consigo mesmo, dando-se muitas opções para a realização dos seus sonhos. Não há motivo para pressa. A arte de escolher acertadamente é tarefa para o longo prazo. Os idosos que conheço que estão satisfeitos com a vida seguem criando seus "planos B". Talvez seja essa uma das principais estratégias para fazer da longevidade um caminho igualmente interessante, a despeito de quanto cada um já o tenha percorrido.
Wilson Jacob Filho, professor da FMUSP e diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas.
É o autor de "Atividade Física e Envelhecimento Saudável" (ed. Atheneu)
wiljac@usp.br
Wilson escreve a cada 21 dias (5as feiras) na Folha de S.Paulo, no suplemento Equilíbrio.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
O plano B, por Wilson Jacob
elaborado por Moco às 3:00 PM
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