Passada a raiva, quis saber de onde ela surgia. O porque de alguém se preocupar tanto com um acessório que nem sabe pra que serve. Ao invés de se preocupar em trabalhar mais, emagrecer...sei lá, quem sabe até em arrumar uma mulher. Mas mesmo sem ainda ter conversado isso com ele, fico imaginando o quanto deve ser foda pra alguém do tamanho dele encontrar uma companhia...
A história dele começa em 1970, Capão Redondo,Sampa.
Nasceu em meio a uma chuva de balas - não as de goma - mas as de 38 e 9mm, essa balas. Sua mãe, assim como muitas mulheres dali, trabalhava na Zona Sul, era doméstica na casa dos endinherados. Seu pai, que ele mal conheceu, bebia tanto que, quando o Julinho tinha 3 anos, foi morto por encomenda, o safado só faltou dever própria vida no boteco.
Mas dos males, esse era o melhor. Pensar que 10 anos mais tarde, sua mãe faleceu por causa de um problema no coração que ela tinha e mal sabia. Nessa altura da vida, o menino órfão acabou indo morar com a avó materna. Morar não, acabou sobrando pra avó criar, porque ele dava uma puta trabalho. Mal ia na escola, e quando ia, enfiava a mão na cara de uns dois ou três. Ele sempre foi o maior e o mais gordo de todos da sua turma. Talvez até do colégio. Se achava no direito de sair dando porrada no primeiro que olhasse feio pra ele, não importava se tinha ou não motivos. Era soco que não acabava mais.
Por ser assim, muitas menininhas babavam ovo pra ele, achavam um máximo o “grandão que tocava o terror”. Talvez por isso que ele fez a festa com quase todas as cocotas da escola. Era uma de cada vez, sempre pressa. Rapidez é algo que não combinava com alguém que já beirava os 80 quilos, aos 14 anos. Essa rotina de briga+maconha+mulher durou uns 4 anos. Não que ele tenho virado coroinha da igreja, nada disso, mas quando tava pra completar 18 anos, levou uma surra de uns caras que ele nunca mais esqueceu, mesmo se quisesse, seria difícil. O maxilar quebrou em 3 partes, por isso,hoje ele tem a boca ligeiramente torta.
O tempo que ficou no hospital público, serviu para mostrar pra ele o tamanho da burrice que era ser, folgado e espaçoso. Da época que ainda era di menor, só sobraram algumas mulheres...e a maconha.
Continua...
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Julião,pt. II
elaborado por Moco às 11:31 PM
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